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Aí assim. Os dias vão passando e eu vou deixando de lado tudo que me é abstrato. Estou numa fase muito concreta. Só me interessa o real – embora muitas vezes eu não saiba lidar com o substantivo correspondente. Minha vida é uma eterna confusão e ontem, quando ele me disse que achava que vivia, há meses, no epicentro de um terremoto, não sei porque, tive certeza que já vi esse filme. Mas mesmo com tudo tremendo – e a gente sem saber quando vai acontecer de novo –, é importante seguir, né? Eu não estou triste. Também não estou feliz. A sensação que tenho é de que estou apenas caminhando. Acho que a vida tem fases assim para todo mundo. Tem dias que a serenidade reina, em outros o caos é completo. E assim vamos vivendo. De verdadeiro mesmo só há a certeza que dias melhores chegarão. Porque eu já aprendi que FÉ não pode faltar. ![]() Uma vez, ele olhou bem fundo no meu olho e disse: - Acho que se você fosse para o BBB o Brasil ia se apaixonar por você! E eu, que nessa época já nem era mais apaixonada por ele, achei a coisa mais linda do mundo. E por muitos anos, aquele foi o melhor elogio que alguém já tinha me feito. Pela simplicidade. E por eu ter percebido o quanto aquelas palavras, tão comuns, diziam tanto sobre o que ele pensava ao meu respeito. O tempo passou, a vida correu e ele, que já morava em outra cidade, se mudou mais meia dúzia de vezes. Para cada vez mais longe. Nós nos conhecemos há exatos dez anos, seis meses e treze dias, mas nunca nos perdemos. As vezes passamos meses, anos, sem nos falar. Mas sempre que me deparo com ele novamente, é como se tivéssemos nos despedido ontem. E a recíproca, eu sei, é verdadeira. Há algumas semanas ele me escreveu para contar que está trabalhando na obra de recuperação de uma estrada destruída pelas chuvas, no Paraná. Ele me ligou para contar que foi entrevistado, para contar que leu o blog e para dizer que vive vendo as minhas fotos. Ele diz que tem saudade e que abre a caixa de email sempre esperando uma mensagem minha. Ele liga, eu ligo e a gente conversa sobre a vida, sobre as coisas e sobre o tempo. A gente conversa sobre tudo e sobre a gente. E são tantas histórias ao longo desses anos que eu quis pular de alegria quando ele disse que viria me visitar. Como naquele natal de 1999, quando éramos adolescentes ainda e ele brigou com a mãe para viajar 300 quilômetros para me ver. E relembrar aquilo foi tão bom que eu adormeci sorrindo. Pessoas legais sempre moram longe, mas ainda bem que inventaram o avião. Mas mesmo que não existisse e que eu nunca mais o visse, ele, eu sei, vou amar para sempre. Um amor transformado e, por isso mesmo, infinito. E que assim permaneça. Batido por Lu às 11:31 AM É incrível como as vezes temos a nítida impressão que a vida gira em círculos.
Batido por Lu às
2:35 PM
* Já fui cruel algumas vezes, eu sei. E assumo. Assumo porque não há nada pior que alguém que vive magoando os outros e permanece com uma eterna cara de anjo barroco como se não percebesse o que está acontecendo. Às vezes é bom fecharmos as portas para relações que não queremos mais viver. Cansei de gente que só me procura quando está precisando ou quando tem festa. E finge não ver quando EU não estou bem... Porque "não sabe o que dizer". Esse é o primeiro sinal de que é uma relação incompleta. Pessoas que me julgam pelo que eu aparento ser e não se preocupam em me enxergar de verdade, essas podem ficar na seção de meros, e em muitos casos, agradáveis conhecidos. Mas amigos mesmo, no sentido mais puro da palavra, eles não são. Acho que, aos pouquinhos, estou aprendendo a priorizar algumas coisas na minha vida e conseguindo colocar as relações incompletas em seu devido lugar. Para as pessoas que elogiam porque estão realmente querendo fazê-lo, eu sorrio e agradeço. Para aqueles que me criticam por criticar, vou dar de ombros. Relações sociais/superficiais são assim mesmo. Mas aqueles que têm o privilégio de usufruir da minha intimidade, pessoas com quem eu divido a minha vida, esses precisam saber que o que temos é o que conquistamos todos os dias e que isso nem sempre é fácil, leve ou bonito. Pelo contrário. Tem dia que dói, que é tosco, uma droga mesmo! Faço muita coisa errada, sou cheia de dúvidas, defeitos, emoções contraditórias, irracionalidades e inseguranças. E com um agravante: não tenho um botãozinho de off. Mas EU sou assim. É pacote pronto. Dona Lu, muito prazer. Ou você compra porque gosta ou deixa na vitrine pra não se envolver. Passa, olha, até acha bonito, mas nem sempre se tem espaço na sala pra colocar. Dá pra entender perfeitamente e sem nenhum stress. Eu entendo. Só convém não esquecer que em artigo de vitrine não se mexe. * Este texto foi escrito em 2002. |
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Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
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