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Da série, DIRETO DO TÚNEL DO TEMPO...
Batido por Lu às
8:56 PM
Sábado, 20 de maio de 2006 Era nosso segundo encontro. E logo no início, sabendo que havíamos nos vistos apenas em uma boate muito pouco iluminada, tratei de questioná-lo sobre a possibilidade dele não me reconhecer. Ouvi a frase: Eu te reconheceria mesmo se você estivesse a 500 metros de distância! Resposta correta e eu me encantei. Esse segundo encontro rendeu nosso primeiro beijo e a partir de então, durante algum tempo, eu e ele fomos NÓS. Nós iríamos juntos para o Rio de Janeiro, para a lua ou só até ali na esquina. NÓS não conseguíamos parar de conversar - e eram horas e horas e horas a fio. Ele me dava aulas sobre samba de raiz e eu o apresentei aos encantos do Los Hermanos. E NÓS continuaríamos nos divertindo mesmo sem fazermos nada. Somente com a alegria de estarmos um com o outro. Mas um dia o castelo ruiu - ou a onda derrubou. E NÓS passamos a ser ele e eu. Eu fui para um lado e ele para o outro. E dissemos, nas entrelinhas, "agora, amigos". Eu chorei, senti saudades e até sofri um pouquinho. Não queria abandonar os momentos lindos que vivemos. Não queria abandonar os sonhos que tivemos(?), as expectativas que criamos. Aí o calendário correu, eu ocupei minha cabeça, fiz outras coisas, busquei outros lugares para não encontrá-lo, fiquei com outras pessoas apesar do coração só pedir por ELE. Mas a despeito de tudo, a dor passou - sempre passa. Me apaixonei de novo, estou feliz e essa história ficou no passado. Meses depois daquele primeiro encontro na boate, eis que ele surge sorrateiro novamente, numa peripécia do destino. Uma conversa virtual recheada de silêncios gritantes. - Oi, tudo bom? - Tudo bem e com você? - Tudo tranqüilo. Novidades? - Não. Tudo igual. E por aí? - Tudo igual também. Mentira. Plena. Total. Uma grande falácia. Muita coisa mudou. Tudo mudou. Nessa hora eu senti um enorme vazio ao lembrar das nossas conversas do início. Eu adorava ouvir aquela voz dizendo meu nome. Mas as coisas já não são mais como antes. E ninguém teve coragem de prolongar aquele diálogo. Tratamos do assunto (profissional) que tínhamos para tratar e só. Vou indo. Ok. Tchau. Tchau. Um beijo. Outro. Desapareceram os beijos do tamanho do mundo do gigante, as incontáveis despedidas. Desapareceram os desejos de boa noite, bom dia e boa semana. Desapareceu quase tudo. E aquela mesma pessoa que, um dia, disse me reconhecer mesmo a 500 metros de distância, me pareceu um completo estranho. É... As coisas mudam. Ainda bem que mudam. Elas sempre mudam. "Odeio quem me rouba a solidão sem, em troca, me oferecer verdadeiramente companhia." Nietzsche. O poeta é um grande fingidor mas todos nós também somos. A gente finge que não está nem aí pra passar melhor. Disfarça. Não percebe. Passa reto. Pra não doer. Pra não questionar. Pra não sofrer. Pra não borrar o sorriso. É mais fácil fingir. Go ahead! Eu finjo que não estou nem aí pra você. Faz de conta que eu não quero saber como foi o seu dia, se pensou em mim, se correu tudo bem, se foi bem na prova. Eu finjo que não me importo quando você passa horas falando do mais novo desenho japonês e esquece de falar da gente. Por que não sabe o que falar. Porque nem eu sei se 'a gente' é mesmo 'a gente'. Então é melhor sorrir e escutar. Sem embates. A gente finge. Eu disfarço que não sei que tem um monte de criaça passando fome enquanto eu gasto centenas de dinheiros com um vestidinho da moda que não usarei mais na próxima estação. Disfarço. Porque a vida é assim e você também finge. Você muda a estação do rádio e finge não perceber que a menina de dez anos, parada ao lado do seu carro, já tem malícia, mas não tem sapatos. Você bebe mais um gole da coca-cola com gelo para não reparar que a moça da mesa ao lado gostou do seu namorado, e ele, como qualquer imperfeito ser humano normal, gostou dela ter gostado. Você disfarça. A vida toda você disfarça. Você, eu, ela. Nós. Disfarçamos. Para não parecermos fracos. Para não parecermos loucos. Para não aparecermos demais e sermos alvo de crítica. Disfarçamos para ter com quem comer pizza no domingo. Para ter com quem ir no cinema na sexta à noite. Nós disfarçamos a cegueira. E passamos a vida cegos para podermos viver. Porque enxergar tudo de verdade dói demais e enlouquece. E louco sempre acaba sozinho. Este mês eu decidi mudar.
Batido por Lu às
10:58 AM
Meu nome é PRESSA e meu sobrenome é TRABALHO. Tem um outro nome no meio, mas esse eu não posso revelar que é INSENSATEZ não. Meus dias estão mais curtos e os trabalhos se proliferam. Eu não sonho mais - porque as noites de sono sereno são tão raras que eu já nem sei mais quando foi a última. Hoje prenderam o filho da governadora aqui do Estado e a redação está em polvorosa. Quase não sobra tempo para respirar. Mas em dias assim é que, por mais cansada que eu esteja, eu agradeço a deus estar trabalhando com algo que me arrebata. Ah como deve ser ruim ter que fazer todos os dias alguma coisa que você não gosta. (Graças a deus eu fiz a escolha certa!) E ainda há pouco, com um telefone em cada ouvido e com uma penca de coisa para fazer... Eu percebi que estou feliz. É. Bem feliz! E que estou no caminho certo. Boa mesmo é essa sensação, sabem... De que se está no caminho certo. Minha própria estrada de tijolos amarelos. Claro que ainda tenho muito o que melhorar - como qualquer pessoa esperta, sei que o importante mesmo é estar disposta a aprender um pouquinho a cada dia - mas me rodeia uma sensação de que a médio prazo eu vou conseguir sim, ser a pessoa que eu sempre quis ser. E o que eu quero é simples - e talvez por isso mesmo muito mais complexo. A simplicidade é uma equação para poucos. Agora mesmo me ocorreu que há alguns anos eu costumava dizer que felicidade para mim seria continuar trabalhando com jornalismo, ter um grande amor pra chamar de meu e ficar com ele para sempre, ser mamãe, ter uma casa com jardim e cachorros, poder pagar minhas contas e viajar nas férias. Os anos passaram e eu percebi que não quero muito mais que isso não. Conversa de meninas.
Batido por Lu às
8:17 AM
Amiga1: - Amigaaaaa, quer chiclete? Amiga2: - Quero não, brigada. Amiga1: - É de melancia! Amiga2: - Mas não quero agora não, amiga... Brigada. Amiga1: - Você sabe que eu só ando com Trident de melancia na bolsa agora, né? Amiga2: - Aaaaaaii é? Amiga1: - Anham. E sabe por que, né...? Amiga2: - Não, amiga... Amiga1: - Porque é o sabor de chiclete preferido de *FULANO* Amiga2: - Hahahahahahahahahaha. Amiga1: - ???? Amiga2: - Mas tu é muito amélia mesmo! Amiga1: - Hahahahahahaha. ![]() |
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Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
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Imagem :Gettyimages