http://www.makepovertyhistory.org
Monday, September 28, 2009

Uma vez eu li em algum lugar que o tempo não cura nada. Ele só tira o incurável do centro das atenções. E ainda há pouco eu lembrei disso. Porque quando a gente olha para o incurável todos os dias, fica difícil o tempo fazer a sua parte.
Batido por Lu às 2:55 PM


Saturday, September 26, 2009

Entrei na loja para comprar uma peça e levei seis. Ficar bonita sempre ajuda, mesmo que por dentro os dias sigam sem grandes alegrias. Mesmo que por dentro um edifício tenha desabado e você ainda esteja em meio aos destroços, contabilizando os prejuízos.

A saudade dói, mas o salto é alto e eu não desequilibro nunca. Muita maquiagem, cabelo arrumado, sobrancelha feita. E grandes óculos escuros. Para esconder esse meu lado romântico que tanto insiste em aparecer – tão a contragosto.

Muita roupa da moda para esquecer que você está ali do lado mas brincamos de um jogo besta de faz-de-conta. Faz-de-conta que eu não me importo, faz de conta que você não está ali, faz-de-conta que eu não estou prestando atenção a todos os seus movimentos. E você entra no mesmo faz-de-conta que só nos afasta. É melhor assim.

Mas eu sei o quanto é cansativo continuar nesse jogo e fugir da dor. O quanto é falso mentir que ela não está aqui no meu peito e grita todas as vezes que você dá aquela risada alta. Não é fácil ignorá-la da hora que eu acordo ao último momento antes de pegar no sono. Mas é o que eu tenho a fazer. E vou fugir. Vou correr como um Usaim Bolt, como um relâmpago, como o The Flash. E vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho – um pouquinho que seja, para passar.

E não vai passar, eu sei. Porque todos os dias, às 14h15, você vai aparecer para me lembrar que eu não sou mais nada daquilo que, um dia, você me fez crer que eu era. E eu vou continuar fugindo. Muitos passeios no shopping. Muito salão de beleza. Manicure toda semana. Duas horas na academia. É o que me resta.

(...)

Mas depois de tanta roupa bonita, de tanta maquiagem cara, óculos escuros, salão de beleza e festas da moda eu continuo sem saber se dá para fugir da dor. Porque a sensação é de que eu corro, corro, corro e continuo no mesmo lugar.
Batido por Lu às 11:12 AM


Wednesday, September 16, 2009

Da série, As Pessoas São Loucas


Redação de jornal.
Uma tarde quente de uma terça-feira sem graça.
A vida segue e o silêncio impera. Há dias.

Até que ele é quebrado.
Pelo comunicador.


- Sabe o que eu tô pensando...?
- Não. O que?
- Tava imaginando você com um barrigão, andando aqui pela redação...
- kkkkkkkkkkkkkk. Subindo essas escadas todas...?
- Subir vc não ia... Eu garanto!
- É... Realmente... Eu ia rolar! Eu e meus 80 kg!!
- Eu ia te carregar no braço... Mesmo que tivesse um infarto depois...
- ??????
- Já imaginou... Nosso filho já ia nascer órfão de pai!
- ...


Perdi algum capítulo.
Só pode.
Batido por Lu às 5:51 AM


Saturday, September 12, 2009

Meu primeiro dia sem você.

No meu primeiro dia sem você eu não quis dormir até mais tarde. Eu acordei cedo e saí de casa. Para trabalhar sim, mas muito mais para me distrair. E trabalho sempre distrai.
Meu primeiro dia sem você não foi um dia feliz, não foi um dia alegre nem proveitoso. E a cada vez que o meu telefone dava sinal de que havia chegado uma mensagem sua, minha mão suava e o coração disparava. Eu lia, apagava e voltava para o meu primeiro dia sem você. Porque quando eu tomo uma decisão desse tipo, não há volta.
Na minha primeira tarde sem você, eu cruzei contigo no corredor do trabalho. E fiz de conta que não vi. Fiz de conta que você não estava ali. E que eu não quis morrer. Depois eu corri para o banheiro. Mas dessa vez a vontade não era só de chorar. Era de vomitar. E expulsar de dentro de mil todo o fel que você me dez engolir naquele sábado para ser esquecido.
Mas no meu primeiro dia sem você eu também pude me lembrar o quão feliz era o meu mundo antes de você aparecer. O quão bom é poder dirigir o meu carro sem ter alguém me mandando sair da direção a todo tempo e dizendo que eu sempre freio depois do que deveria. Bom não ter que ouvir alguém dizendo que eu tenho que arrumar o botão de baixar o vidro que ainda está quebrado. É maravilhoso poder ouvir as minhas músicas e não ter mais que carregar um cara que bebe e fica pedindo a toda hora para colocar o CD de Grafith – e quando ninguém coloca, ele mesmo canta. "O Brasil canta ê ô!" Ai que felicidade meu primeiro dia sem isso tudo. Porque todos esses dias que eu estava com você, eu já havia me esquecido como é bom sair com as amigas sem ter que dizer para onde, com quem e a que horas volto. Eu já tinha esquecido como era legal ter um domingo todo de paz com a minha família sem esperar o telefone tocar a qualquer momento com alguém me intimando a sair de casa. Eu tinha esquecido como é decidir o que fazer sem me preocupar se o outro vai gostar, querer, aceitar. Eu já tinha esquecido como era bom ser eu, de novo, inteira, plena, feliz.
Ai que alegria meu primeiro dia sem você!
Ai que tristeza o meu primeiro dia sem você!
Que tristeza não ter mais você para me abraçar na fila do cinema, para dirigir quando eu estou cansada, para me fazer companhia nas tardes de domingo e falar sobre todos os meandros do jornalismo potiguar. Que tristeza saber que você não vai mais estar lá para me proteger, seja lá do que for. Tristeza não ter mais a sua mão para segurar a minha, nem te ligar todas as noites para dizer boa noite – mesmo tendo passado a tarde do seu lado. E pela manhã ouvir o meu celular tocando aquela musquinha e do outro lado você falando que achou o apartamento. Eu ainda não ergui a cabeça para olhar o sol porque eu sei que a sua sombra e seu ombro não estarão mais ali do lado para quando eu me cansar e quiser encostar a cabeça. No meu primeiro dia sem você eu já sinto falta do seu ombro macio, de você cantando Nando Reis para mim, do seu ciúme e de todas as vezes que disse que eu era fresca mas que adorava todas as minhas frescuras. Sinto falta de você e de todas as suas incoerências.
E no meu primeiro dia sem você, eu vivo essa ambiguidade angustiante. Eu não sei se eu me sinto imensamente triste por ter te perdido ou surpreendentemente feliz por ter me encontrado.
Batido por Lu às 9:41 AM


Monday, September 07, 2009

Hoje é feriado e está fazendo um solzão. Eu moro numa cidade litorânea linda e cheia de praias legais. Mas quem me conhece sabe que eu não vou nunca. Porque eu não gosto de sol forte na cabeça, areia sujando o pé e água salgada em grande quantidade me sufoca. Nunca vou à praia.
Mas hoje eu quis ir. O povo diz que água salgada tira todas as mazelas da vida, né? E nada melhor que aproveitar o feriado pegando uma prainha com os amigos e deixar o mar levar embora tudo que havia de ruim. Nada de trevas mais. Eu quero LUZ.

Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais

Porque a vida, as experiências e alguma consciência já me fizeram perceber que para tudo na vida há um limite. Senão, vira palhaçada. E há muito, muito tempo eu joguei o nariz vermelho no lixo. As coisas acontecem na hora que a gente menos espera, mas, com toda a certeza, na hora que a gente mais precisa. E nessa hora é preciso recomeçar, reaprender, erguer a cabeça e seguir. É preciso querer sempre mais.

Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais

E eu vou.
Bem feliz. Porque, agora, quem está escolhendo SOU EU.
Batido por Lu às 11:10 AM


Sunday, September 06, 2009

Direto do túnel do tempo.



Janeiro de 2005.


Justo quando a lagarta pensou que o mundo tivesse acabado,
ela virou uma borboleta”.
Antoine de Saint-Exupèry


Porque um dia a gente descobre que é forte sim - e muito mais do que se pensava. E o orgulho por ter feito/estar fazendo o melhor por si mesmo é maior que qualquer outra coisa.

Aí você olha para a sua antiga vida de lagarta e pensa: como é bom poder voar, ter asas coloridas, corpo esguio, ser leve. Leveza sim, é fundamental. E então você sente pena das pobres lagartas que não tiveram a mesma sorte. Pena. Daquelas que optaram por não construir seus casulos, por acharem que a vida estava ali, no chão. Continuarão eternas lagartas. Rastejando por entre as folhas secas, em uma vida medíocre e pequena.

Você não. Passou anos e anos tecendo um belo casulo. Seguro, quente, protegido. Casulo que transforma lagartas em borboletas. Construído à base de materiais pouco palpáveis – amor, carinho, compreensão, amizade.

Claro que há momentos na vida das borboletas que (incompreensivelmente) elas sentem saudades da época em que se arrastavam no chão por entre as folhas mortas – afinal, foram tempos e tempos vivendo como uma lagarta. Mas a saudade logo é substituída pela alegria de saber que agora se pode voar. Bater as asas coloridas, passear por entre as flores, encontrar outras borboletas – que também fizeram a opção por construir casulos sólidos -, sentir o perfume das coisas simples. E assim ver o mundo do alto. E perceber que ele, meus caros, vai muito além de um jardim de folhas secas.

...

Pobres lagartas.
Batido por Lu às 8:38 AM



"E do amor gritou-se o escândalo
Do medo criou-se o trágico
No rosto pintou-se o pálido
E não rolou uma lágrima
Nem uma lástima para socorrer
E na gente deu o hábito
De caminhar pelas trevas
De murmurar entre as pregas
De tirar leite das pedras
De ver o tempo correr
(...)"


E Deus continua escrevendo certo por linhas tortas.
Batido por Lu às 8:33 AM


Thursday, September 03, 2009

Ele gosta de mim.
Eu estava dirigindo e quando fiquei sabendo tive vontade de parar o carro e dar pulinhos de felicidade.
Mas eu não parei.
Só sorri.

Um dia de cada vez.
Porque, assim como no início, tem tudo para dar errado.
Mas eu sigo mesmo assim.
Batido por Lu às 4:04 PM



Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa.



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