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Sunday, September 06, 2009

Direto do túnel do tempo.



Janeiro de 2005.


“Justo quando a lagarta pensou que o mundo tivesse acabado,
ela virou uma borboleta”.
Antoine de Saint-Exupèry


Porque um dia a gente descobre que é forte sim - e muito mais do que se pensava. E o orgulho por ter feito/estar fazendo o melhor por si mesmo é maior que qualquer outra coisa.

Aí você olha para a sua antiga vida de lagarta e pensa: como é bom poder voar, ter asas coloridas, corpo esguio, ser leve. Leveza sim, é fundamental. E então você sente pena das pobres lagartas que não tiveram a mesma sorte. Pena. Daquelas que optaram por não construir seus casulos, por acharem que a vida estava ali, no chão. Continuarão eternas lagartas. Rastejando por entre as folhas secas, em uma vida medíocre e pequena.

Você não. Passou anos e anos tecendo um belo casulo. Seguro, quente, protegido. Casulo que transforma lagartas em borboletas. Construído à base de materiais pouco palpáveis – amor, carinho, compreensão, amizade.

Claro que há momentos na vida das borboletas que (incompreensivelmente) elas sentem saudades da época em que se arrastavam no chão por entre as folhas mortas – afinal, foram tempos e tempos vivendo como uma lagarta. Mas a saudade logo é substituída pela alegria de saber que agora se pode voar. Bater as asas coloridas, passear por entre as flores, encontrar outras borboletas – que também fizeram a opção por construir casulos sólidos -, sentir o perfume das coisas simples. E assim ver o mundo do alto. E perceber que ele, meus caros, vai muito além de um jardim de folhas secas.

...

Pobres lagartas.
Batido por Lu às 8:38 AM



Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa.



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