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Friday, October 31, 2008

Sobre cegueira, tristeza e esperança

Hoje me perguntaram se estava tudo bem. Pergunta que eu faço – e respondo – incontáveis vezes por dia. Tudo bem e com vc? Mas nessa hora eu respondi diferente: TIRANDO O QUE TÁ RUIM, ESTÁ TUDO ÓTIMO. Eu falei a verdade. Mas a verdade é cruel.

“Tirando o que está ruim...”

Tirando o que está ruim sobra muito pouca coisa. Porque a semana foi uma bela droga. Eu nem sou de reclamar, eu não sou de xingar e sou do tipo até que vê o lado bom de tudo. Mas um dia até a Pollyana acorda. E essa semana foi uma BELA DROGA mesmo – com tudo maiúsculo, grande, enorme. Muita eloqüência nessa expressão, por favor: UMA BELA DROGA!

Eu fiquei doente, eu fui para o hospital, a viagem do fim de semana foi cansativa e pouco proveitosa, eu estou com um calo enorme no pé, eu não tive tempo para desabafar com os meus amigos, eu tive surpresas TRISTÍSSIMAS, eu chorei como há muito tempo não chorava, acordei com a cara inchada e arrisquei a minha vida dirigindo sem ver quase nada na frente (por causa das lágrimas)... Isso só para citar os pontos menos graves. Meus pais, as pessoas que eu mais amo no mundo, me ofereceram ajuda e eu me senti ainda mais frágil por ver a tristeza deles me vendo daquele jeito. Mas ninguém pode ajudar. Quem pode não quer.

Mas hoje é sexta-feira e eu prometi para mim mesma que eu não vou chorar aqui de novo. Não quero me fazer de vítima, mas só pode ser o tal do inferno astral. Se ele existe, eu estou nele. Eu perdi a paciência com o computador, perdi a paciência com uma colega de trabalho, perdi a paciência até com gente que só quer me ajudar. E se eu pudesse obrigaria um monte de criaturas a ver Ensaio Sobre a Cegueira e a entender a metáfora tal qual eu a entendi. Mas eu não posso. Eu não posso muita coisa. E preciso parar de bancar a forte porque eu também não posso continuar com isso.

Hoje tem show do Nando Reis e no começo da semana eu recebi um email com um convite surpreendente – e só pensava em que roupa usaria. Mas dias depois eu recusei. Eu recusei o convite que eu sempre quis receber por que depois dessa semana... Não... Eu não conseguiria. Se é complicado? Sim, é muito. E eu também desisti de entender. Porque eu estou sem paciência para isso também.

Nos domingos eu vou para a missa e sento sempre no mesmo banco. Mas amanhã eu vou sentar bem longe, bem distante, no lado oposto. Porque eu quero fazer tudo diferente – e vai começar de agora. Eu não quero mais andar pelas mesmas ruas, deixar o carro na mesma vaga, nem entrar pela mesma porta. E também não quero mais encontrar quem eu sempre vejo por lá.

Fazer diferente, né? Pois bem. Hoje é sexta-feira e eu não fui para o Peppers. Eu não fui para o Botelha, nem para o Boemia. Eu não fui para Petrópolis. Eu nem sequer saí de casa e passei três horas e dez minutos falando no telefone com o meu melhor amigo que mora a milhares de quilômetros daqui. Eu to cansada, to estressada, decepcionada, desapontada, doente, estou farta e infinitamente triste. E depois dessa semana ainda por cima vou ficar pobre de tanto dinheiro que eu vou ter que gastar com cremes anti-rugas. Eu me olho no espelho e não me reconheço.

Eu vou embora que é o melhor que eu faço. Vou tentar arrumar um pouquinho a bagunça que está por aqui e daqui a uns dias eu sigo rumo ao aeroporto. Escolho o destino nos próximos dez minutos, quando eu abrir o site da companhia aérea, mas serão dez dias de muita paz – tenho certeza. Eu to merecendo. Aliás, eu to precisando.

A única parte boa de tudo isso é que ainda me resta a esperança. Esperança de que quem faz um bem, um dia, mesmo que demore, também recebe o bem. Esperança de que os dias corram e as coisas se adéqüem em seus novos lugares. Não espero que o tempo cure, porque o tempo não cura nada – ele apenas tira o incurável do centro das atenções. Mas eu sempre esperarei aprender todas as lições que vida insiste em me dar.
Batido por Lu às 7:50 PM


Thursday, October 30, 2008

"Os óculos escuros escondiam olhos castanhos.
As lentes escuras, contra o sol, tinham a vantagem adicional
De preservar as emoções que ela vinha se esforçando
enormemente para esconder" *




* In Mrs. Kennedy, de Barbara Leaming.
Batido por Lu às 2:10 PM


Wednesday, October 22, 2008

Tem dia que é assim. Eu chego em casa, chuto as sandálias pelo quarto e desabo na cama. Minha vontade é dormir até o outro dia. Mas não dá. Eu ando exausta e os problemas se acumulam. Tem hora que eu acho que eu não vou conseguir. Mas logo espanto o pessimismo e sigo a minha rotina, sempre em frente. Medrosa eu nunca fui.

Mas hoje foi um dia que eu não gostaria de ter saído da cama. Acordei atrasada, o suco de laranja estava muito azedo e o céu nublado. Lembrei de uma das lições que meu avô me dava na infância: nem todo dia tem sol. E a gente precisa aprender a brincar dentro de casa também, não é mesmo?

Ontem o dia foi daqueles "P.E.". Para esquecer! E às 20h30 eu estava no meu quarto, bem cobertinha, com a luz apagada, esperando o sono chegar. Eu ando sem paciência para muita coisa e me pergunto se é fase ou é mudança mesmo. Há alguns tempos eu tinha uma necessidade quase visceral de explicar tudo, detalhar, justificar. Hoje, na maioria das vezes eu simplesmente deixo para lá. Simplesmente porque não vale a pena.

Eu já fui de escrever looongos e-mails, passar horas no telefone, dizendo como eu me sentia, o que eu pensava, o que eu queria... Ah como eu era impetuosa - e nem mesmo sabia. Hoje eu vejo que mais da metade das pessoas para quem eu me expus simplesmente não merecia ouvir uma única palavra. Porque não importa o quanto você se importa, algumas pessoas simplesmente não se importam. Mas o tempo passa e a gente aprende.

A gente aprende a selecionar. E eu ando tão seletiva que até me assusto. Eu não tenho mais a mínima vontade de ficar de papinho com gente que não me acrescenta. Gente invejosa e que tem sempre um veneninho pra soltar. Esse povo que se faz de amigo, mas que na verdade está é tramando intimamente contra a felicidade de qualquer um - porque simplesmente não suporta ver ninguém contente de verdade.

Só quero perto de mim quem me faz bem! E, graças a Deus, eu tenho uma lista de poucos e bons, meus incansáveis amigos verdadeiros. Gente que eu não vejo todo dia – e às vezes nem toda semana –, mas para quem eu me dou e que se dá para mim, sem pedir nada em troca, além do que pode haver de mais importante entre duas pessoas: AMIZADE. Porque quando as luzes se apagam e a festa acaba... Eu ainda os tenho.

Mesmo nos dias difíceis. Como ontem. Como hoje. Eu sigo fazendo todos os meus trabalhos, colocando em prática alguns planos e ajudando quem eu posso. Ando tão ocupada e com tanta coisa para fazer/resolver/organizar que ando sem a menor paciência para gente mesquinha e sem conteúdo.

Há alguns anos, quando estava perto do fim de semana e da próxima festinha, o meu Orkut bombava de gente querendo saber se eu ia, se eu não ia, com quem ia, com que roupa ia, com que sandália ia, com que perfume, com que pretê... Hoje eu falo com meus amigos pelo telefone, não preciso tirar mil fotos em festas para provar a minha felicidade e daquele tempo e daqueles pseudo-amigos todos, não sobrou um. Porque só fica o que é verdadeiro. Por isso que hoje, apesar de todo o aperreio diário, eu me sinto muito, muito mais feliz.

Batido por Lu às 1:52 PM


Sunday, October 12, 2008

América 3 X ABC 2


Bom mesmo é ver meu time ganhar.


Da Tribuna de Honra


Ou do meio do campo.


eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.
Batido por Lu às 7:41 AM


Wednesday, October 08, 2008

Hoje está fazendo um dia lindo e eu acordei bem cedinho para ir para a missa. Os dias estão corridos e falar em falta de tempo é lugar comum. Mas eu tenho muito o que agradecer. Levantei horas antes do habitual e fui sim. Tenho ocupado minhas parcas horas que sobram dos trabalhos diários com atividades que me deixam pesando o mesmo que uma pena. E isso é o que mais importa.
A cobertura das eleições foi um sucesso. O jornal deu um banho nos concorrentes e eu fiquei feliz demais pelo resultado de dias e dias de preparação e empenho - era para dar tudo certinho, e deu! Foi ótimo também para a auto-estima da minha equipe, que eu tanto prezo.
Boas notícias aliás não faltam. A revista que eu edito foi uma das três indicadas para um prêmio nacional, junto com RS e RJ. Sabemos que o resultado é muito mais político que por merecimento, mas a indicação já foi uma grande vitória. Depois de todas as barras que eu segurei por causa dessa bendita publicação, esse foi mesmo o melhor presente. E, mais uma vez, tive a certeza de que eu estou mesmo no caminho certo. A estrada é longa, mas eu não desisto nunca.
A terapia tem me dado uma serenidade que há muito eu buscava - e não encontrava! As coisas parecem menores, menos importantes e tenho colocado os problemas nos seus devidos lugares. Como diz uma amiga, "serenidade, muito prazer!". É uma sensação que há muito eu não experimentava e não consigo definir em palavras. Porque falta muito sim, mas me sinto profundamente feliz com o que eu tenho hoje.
Apesar da falta de tempo, eu também ando fazendo algo que me deixa bem-bem-bem. Ajudar o próximo. Tempo é uma questão de prioridade e eu decidi priorizar algumas coisas na minha vida. Voltei a ser voluntária e não há recompensa maior do que olhar para alguém a quem você, de alguma forma, pôde ajudar e ver gratidão nos olhos da pessoa. Eu tenho tanto, que não imagino mais a minha vida sem compartilhar essas vitórias de alguma forma. E acho que ajudar quem precisa é a melhor forma de fazer isso.
Os planos para o fim de semana vão bem, tem cinema, teatro e festinhas, tem clássico no Machadão e salão de beleza também - porque eu não sou de ferro, né. Daqui a uns dias eu vou viajar e a partir da semana que vem eu já prometi para o amigo mais paciente que vou caminhar com ele no calçadão. Nem que seja a noite, nem que esteja cansada, nem que eu morra de vontade de ficar em casa jiboiando... Eu vou. Andar, andar e andar. Um passo após o outro. Sempre em frente.
E hoje quando eu saí da igreja, 6h30 da manhã, com a minha irmã do lado, uma das pessoas que eu mais amo na vida, senti aquele cheirinho de dia nascendo... E lembrei de uma música do Foo Fighters que eu adorava:

I
I'm a new day rising
I'm a brand new sky that
Hang the stars upon tonight
(...)
Batido por Lu às 7:11 AM



Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa.



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