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Ontem fomos jantar e eu não quis falar. Não tive VONTADE de falar. Nenhuma vontade. Conversamos amenidades, rimos, nos abraçamos. Mas conversa séria eu não quis. Tive preguiça. Não tive paciência. Tanta coisa já aconteceu, tantas conversas já tivemos e hoje a sensação é de que, mais uma, seria mais do mesmo. Talvez porque, no fundo, eu saiba que nada vai mudar. Não sei se isso trará alguma vantagem para mim, neste momento, mas se não tem vontade não pode ter conversa. Nada mais farei por obrigação. Já há algum tempo eu venho me livrando de pesos desnecessários. Um de cada vez sim, aos poucos, mas, com toda a certeza, para sempre. Eu não sei o que você pensa porque palavras e atitudes, em você, não costumam andar juntas. E a verdade é que desisti de expectativas a seu respeito. Ainda não descobri se isso é bom ou ruim. No fim da noite nos despedimos de uma maneira harmoniosa. Mas quando estou sozinha eu elaboro todo o seu esforço inconsciente para me perder. Estar com você foi bom, leve e feliz. Um encontro prazeroso. Só não sei até quando.
Batido por Lu às
1:26 PM
"Deixou de amar quando ela insulta e não fica mais ofendido."
Batido por Lu às
1:47 PM
Fabrício Carpinejar. (...) Amanhã há de ser outro dia. É incrível como hoje, depois de tomar um belo banho de 50 minutos e escovar os cabelos com muita calma, a sensação que predomina é o alívio. Um peso retirado das costas e a certeza de que a estrada que se abre à minha frente há de me levar para um lugar muito melhor. A vontade agora é de olhar para frente e me preparar para o que há de vir – e muita coisa ainda há de vir, se Deus quiser. Um ciclo se fechou e, passado o período da despedida, começa a fase do trabalho. Muito trabalho! Para erguer outras construções bem diante dos meus olhos. Força eu tenho. Estava faltando coragem, mas algumas conversas sempre me ajudam e agora ela apareceu para ficar. Que Deus permita que fique para sempre. Tenho um novo trabalho e com ele um monte de coisas e pessoas novas entraram na minha vida. E hoje pela manhã, conversando com um desses novos colegas, ele me contou que vinha de uma família muito pobre, do interior do Estado. Morava em uma cidade encravada no meio do sertão, onde água e vento são artigos raros, e que já enfrentou muitas dificuldades na vida, mas nunca desistiu. Se mudou para a capital para estudar, enfrentou humilhações, dificuldades financeiras e fome, mas ficou – porque precisava estudar. E, dentre a história toda, uma coisa, em especial, me tocou enormemente. Ele me disse que quando tinha uns 12 anos levantava todos os dias às 5h para pegar água no único poço que ainda atendia a comunidade em um período de seca. Ele andava quilômetros e quilômetros, várias vezes por dia, para a mãe poder ter água para cozinhar, lavar os pratos e a família tomar banho. Carregava galões e galões de água barrenta nas costas. E o dia mais feliz da vida dele foi quando chegou água na torneira de casa. Quatro anos depois de tanta seca, sem um dia de chuva sequer, a água tinha voltado. E ele encheu o olho de lágrima quando me contou. As mesmas lágrimas que ele chorou naquele dia que a seca tinha chegado ao fim.
Batido por Lu às
2:18 PM
E quando ele acabou de narrar toda aquela história de vida eu me senti uma criatura absurdamente pequena. Eu sempre tive tudo, quando eu tinha 12 anos a minha preocupação era que filme eu veria no final de semana, nunca enfrentei um décimo das dificuldades desse menino, trato os meus problemas(?) na sala refrigerada de uma psicóloga e ainda me pego chorando pelos cantos por um motivo... Banal. ... Que Deus perdoe a minha imaturidade para lidar com as coisas da vida. Não adianta ficar falando em saudade, fim e lamento. A vida passa, os dias correm e eu, definitivamente não sou uma pessoa triste. Garçom! Próximo assunto, por favor.
Batido por Lu às
3:59 PM
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Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
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