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As coisas são como são.
Batido por Lu às
10:57 AM
É, já já faz três semanas e estava mesmo na hora de parar de chorar. Estava na hora de voltar a trabalhar, de comprar roupas novas, sair com as amigas e movimentar essa vida. Porque o mundo não acabou, ainda há muito o que se viver e eu quero uma blusa fluor linda. Minha mão está melhor, desinchou e o roxo no joelho está sumindo - devagarzinho, mas está. Está doendo menos, é fato. E quando eu escuto All Star eu já nem choro mais copiosamente como antes. Um avanço! A vida está, aos poucos, tomando seu rumo e a saudade nem dói mais tanto. Quer dizer... Só as vezes. Ontem eu encontrei uns amigos e depois de muitos abraços eu lembrei que bom mesmo é ser querida - coisa que eu quase esqueci. Agora eu só quero esquecer mesmo das dores e olhar para o céu, que vai estar com o azul que eu gosto (espero!). Não tem sido fácil, mas as coisas são como são. E se foi assim, é porque tinha que ser. Sigamos. O dia hoje amanheceu com um sol lindo e eu ainda nem chorei. Quer dizer, só um pouquinho, no carro, enquanto dirigia para ir no médico cuidar da mão. Chorei porque estava tocando Los Hermanos e eu lembrei que na nossa penúltima conversa falamos em ter família grande, quatro, cinco filhos. E eu fiquei triste. Assim como todos os dias eu fico triste e nem há mais novidade nisso. Eu não consigo apagar as dezenas de mensagens suas que estão no meu celular porque sempre que eu começo a relê-las começa a choradeira e uma tristeza infinita, que eu nem sabia que existia, toma conta de mim. E as atitudes simples do dia a dia também me dão uma tristeza profunda. É triste ter que passar por aquela rua e não virar a direita, é triste olhar para o telefone na hora que ele sempre tocava e vê-lo silencioso e imóvel. Assim como são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem você, são tristes as noites que cumprem a promessa. E eu vou seguindo a vida, triste e de pé. Infinitamente triste, mas tendo que tocar a vida, porque hoje é segunda-feira. Tendo que dar bom dia para o flanelinha, para o atendente do banco, para a moça da loja. Tendo que ir na padaria, na farmácia, no supermercado, parar no sinal vermelho, dizer o que eu quero para o almoço, olhar o orkut, checar emails. Tudo isso carregando toda a dor no mundo nas costas, mas de pé. Eu fui na missa ontem e o padre me lembrou o quão feliz eu deveria estar porque eu tenho uma casa, uma família, amigos, um trabalho que me arrebata, um monte de roupinhas da moda, saúde, principalmente saúde... E seria um pecado não ser absolutamente feliz, com tanta gente pior por aí, não é mesmo? Seria. E eu sou pecadora.E aquele outro, o causador de tudo, não para de dizer que me ama e me pedir em casamento. Eu quero mandar matá-lo, mas eu sou cristã e eu rezo para esses pensamentos irem embora porque eu preciso me lembrar sempre que eu não sou uma pessoa má. Eu preciso que as pessoas me digam que eu não sou uma pessoa má. Mesmo querendo muito ser. Mesmo querendo mandar explodir aquele prédio, explodir lembranças, explodir o passado. E eu sinto uma revolta enorme por não poder fazer nada. Eu sinto uma revolta enorme por ter feito tudo certo e não ter adiantado porcaria nenhuma porque você não me ouviu. E desde aquela noite eu não consigo pensar em outra coisa. Há quatro dias eu não penso em outra coisa. Ninguém nunca me ameaçou de morte, mas eu sinto a morte me sufocando todas as vezes que deito a cabeça no travesseiro e o mesmo assunto, a mesma cena, me vêm à mente. Ninguém nunca botou uma arma na minha cabeça, mas eu sinto um cano gelado na minha testa e um gosto de pólvora sempre que passo em frente ao McDonald’s da Prudente. E nunca ninguém me odiou a ponto de me matar, mas eu me sinto morta todas as vezes que me lembro daquelas últimas palavras em frente à sua casa. Sábado eu saí e foi bom para um monte de coisas, mas não resolveu nada. Eu passei 45 minutos me maquiando. As pessoas disseram que eu estava linda e eu quase acreditei. Eu até sorri, eu até dancei, eu até me diverti... Mas não aguento mais ter que colocar o “até” antes do verbo. O sábado à noite fez a parte dele e estava lá para me mostrar que o mundo é enorme sem você, sem você e suas crises de ciúme, sem você e suas grosserias, seu mau humor, seu estresse. O mundo é um universo de possibilidades sem você. Mas hoje, eu não me importo com o que dizem os outros e eu só queria um mundinho pequeno em que estivéssemos nós dois. Felizes como já fomos um dia. Mas hoje é segunda-feira e uma segunda-feira ainda mais cruel que todas as outras porque é a minha primeira segunda-feira sem você. É a primeira segunda-feira que você não me liga e ontem foi o primeiro domingo que não fomos ao cinema. São 18h19 e eu estou em casa, de pijama, com um braço imobilizado e demorando mil horas para escrever essa droga desse texto. A minha mão dói e eu choro, mas eu não sei se choro por causa da mão ou de você. A amiga me disse que eu não estava triste pelo QUEM, mas pelo COMO. E ela tem razão – mas eu não me importo porque dói do mesmo jeito. Dói dói dói, mas eu tenho que enfrentar essa tristeza. Triste e de pé, né? Porque se me virem na rua, devem pensar... “lá vai uma garota feliz.” Afinal eu não tenho mesmo motivos óbvios para me contorcer de dor por aí. Eu sou só uma garota com a vida boa e, por isso, uma garota que segue a vida em pé. Mesmo carregando toda a dor do mundo nas costas. Talvez viver seja isso mesmo. Eu olho para o celular e o relógio marca 3h29 da madrugada. Eu tinha esquecido como era rolar na cama sem conseguir pegar no sono. Eu tinha esquecido como era tentar dormir com o travesseiro encharcado. A minha mão ta doendo e eu não tenho vontade de dirigir. Eu não tenho vontade de dirigir porque eu não quero sair de casa. Eu preciso ir no shopping devolver a camisa que eu comprei para ele, mas eu não tenho vontade de me arrumar. Eu olho o guarda-roupa e as maquiagens e tudo me dá preguiça. Meu pai me acordou às 10h pedindo para eu levar minha mãe não-sei-onde. Eu desliguei o telefone porque não to afim de falar com ninguém. Entrei no carro e mainha ficou do meu lado falando mil assuntos que eu nem sei quais eram porque eu simplesmente não ouvi. E quando aquela música do Nando Reis que vc cantou pra mim no show, há duas semanas, tocou, eu não pude mais segurar as lágrimas. E agradeci ter um óculos bem grande para poder esconder da minha mãe aquela tristeza do tamanho do mundo do gigante. O roxo enorme que está no meu joelho me lembra aquele dia e quando eu olho para ele eu só tenho vontade de chorar mais. E eu não aguento mais isso. Porque o estranho foi EU ter me apaixonado por você, mas eu não pude não achar lindo quando você me olhou com aquela cara de vira-lata e disse que estranho era gostar tanto do meu salto alto. A minha mão não melhora e eu não tenho vontade de trabalhar. Eu não tenho vontade de sair de casa, de encontrar os amigos, de sorrir com besteiras. Eu não tenho vontade de nada. A não ser de ir na farmácia e comprar dramin para passar dias e dias e dias dormindo. Talvez quando eu acorde a dor tenha passado. Minha mãe diz que se eu continuar escrevendo a minha mão não vai parar de doer mesmo, mas é bom que ela doa. Porque assim haverá uma desculpa para as tantas lágrimas. Eu não agüento mais isso, mas eu também não sei o que fazer para passar. Porque não era para estar doendo. Não era! Eu disse que não ia doer, né? Eu disse que ia ser melhor assim. E a decisão era para ter sido minha. M-I-N-H-A! (...) Mas não foi. E agora eu carrego toda a dor do mundo nas costas mesmo sabendo que não era para ser assim. Já faz três dias e eu nem lembro mais há quanto tempo eu não chorava por três dias seguidos... Meus amigos não entendem. Ninguém entende. Porque ninguém gosta dele. E todo mundo acha que eu ganhei. Todo mundo acha que ele não me merece. Todo mundo acha que eu deveria estar feliz. Mas eu não estou. Eu deveria estar feliz, né? Mas eu olho para esse monte de palavras escritas e só tenho vontade de chorar porque eu não queria ter que escrevê-las. E eu fico dando voltas sem sair do lugar. Ta bem difícil. |
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Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
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