Eu olho para o celular e o relógio marca 3h29 da madrugada. Eu tinha esquecido como era rolar na cama sem conseguir pegar no sono. Eu tinha esquecido como era tentar dormir com o travesseiro encharcado. A minha mão ta doendo e eu não tenho vontade de dirigir. Eu não tenho vontade de dirigir porque eu não quero sair de casa. Eu preciso ir no shopping devolver a camisa que eu comprei para ele, mas eu não tenho vontade de me arrumar. Eu olho o guarda-roupa e as maquiagens e tudo me dá preguiça. Meu pai me acordou às 10h pedindo para eu levar minha mãe não-sei-onde. Eu desliguei o telefone porque não to afim de falar com ninguém. Entrei no carro e mainha ficou do meu lado falando mil assuntos que eu nem sei quais eram porque eu simplesmente não ouvi. E quando aquela música do Nando Reis que vc cantou pra mim no show, há duas semanas, tocou, eu não pude mais segurar as lágrimas. E agradeci ter um óculos bem grande para poder esconder da minha mãe aquela tristeza do tamanho do mundo do gigante. O roxo enorme que está no meu joelho me lembra aquele dia e quando eu olho para ele eu só tenho vontade de chorar mais. E eu não aguento mais isso. Porque o estranho foi EU ter me apaixonado por você, mas eu não pude não achar lindo quando você me olhou com aquela cara de vira-lata e disse que estranho era gostar tanto do meu salto alto. A minha mão não melhora e eu não tenho vontade de trabalhar. Eu não tenho vontade de sair de casa, de encontrar os amigos, de sorrir com besteiras. Eu não tenho vontade de nada. A não ser de ir na farmácia e comprar dramin para passar dias e dias e dias dormindo. Talvez quando eu acorde a dor tenha passado. Minha mãe diz que se eu continuar escrevendo a minha mão não vai parar de doer mesmo, mas é bom que ela doa. Porque assim haverá uma desculpa para as tantas lágrimas. Eu não agüento mais isso, mas eu também não sei o que fazer para passar. Porque não era para estar doendo. Não era! Eu disse que não ia doer, né? Eu disse que ia ser melhor assim. E a decisão era para ter sido minha. M-I-N-H-A! (...) Mas não foi. E agora eu carrego toda a dor do mundo nas costas mesmo sabendo que não era para ser assim. Já faz três dias e eu nem lembro mais há quanto tempo eu não chorava por três dias seguidos... Meus amigos não entendem. Ninguém entende. Porque ninguém gosta dele. E todo mundo acha que eu ganhei. Todo mundo acha que ele não me merece. Todo mundo acha que eu deveria estar feliz. Mas eu não estou. Eu deveria estar feliz, né? Mas eu olho para esse monte de palavras escritas e só tenho vontade de chorar porque eu não queria ter que escrevê-las. E eu fico dando voltas sem sair do lugar. Ta bem difícil. |
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Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
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