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Entrei na loja para comprar uma peça e levei seis. Ficar bonita sempre ajuda, mesmo que por dentro os dias sigam sem grandes alegrias. Mesmo que por dentro um edifício tenha desabado e você ainda esteja em meio aos destroços, contabilizando os prejuízos.
Batido por Lu às
11:12 AM
A saudade dói, mas o salto é alto e eu não desequilibro nunca. Muita maquiagem, cabelo arrumado, sobrancelha feita. E grandes óculos escuros. Para esconder esse meu lado romântico que tanto insiste em aparecer – tão a contragosto. Muita roupa da moda para esquecer que você está ali do lado mas brincamos de um jogo besta de faz-de-conta. Faz-de-conta que eu não me importo, faz de conta que você não está ali, faz-de-conta que eu não estou prestando atenção a todos os seus movimentos. E você entra no mesmo faz-de-conta que só nos afasta. É melhor assim. Mas eu sei o quanto é cansativo continuar nesse jogo e fugir da dor. O quanto é falso mentir que ela não está aqui no meu peito e grita todas as vezes que você dá aquela risada alta. Não é fácil ignorá-la da hora que eu acordo ao último momento antes de pegar no sono. Mas é o que eu tenho a fazer. E vou fugir. Vou correr como um Usaim Bolt, como um relâmpago, como o The Flash. E vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho – um pouquinho que seja, para passar. E não vai passar, eu sei. Porque todos os dias, às 14h15, você vai aparecer para me lembrar que eu não sou mais nada daquilo que, um dia, você me fez crer que eu era. E eu vou continuar fugindo. Muitos passeios no shopping. Muito salão de beleza. Manicure toda semana. Duas horas na academia. É o que me resta. (...) Mas depois de tanta roupa bonita, de tanta maquiagem cara, óculos escuros, salão de beleza e festas da moda eu continuo sem saber se dá para fugir da dor. Porque a sensação é de que eu corro, corro, corro e continuo no mesmo lugar. |
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Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
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