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Uma vez me falaram que mudanças nem sempre são ruins. E pra ir me acostumando com as mudanças, hoje fiz algo que nunca faço. Arrumar o armário. A tarefa é simples, mas a verdade é que eu sempre a delego à minha mãe - porque ela sim, sabe organizar tudo do jeito que eu gosto. Mas hoje foi diferente. Eu quis fazer. E lá fui eu rever fotos, papéis, reler antigas agendas. Jogar muita coisa fora. Passei o dia vendo o passado passar por mim - em livros, cheiros, diários, letras de música, naquele vestido que nunca mais usei. Eu estava linda naquela noite? Não importa. É preciso encaixotar também o coração. Separar as roupas. Os livros. Os cd's. Ouvir minha mãe dizer que nunca viu ninguém ter tanta maquiagem (e tanto livro e tantas sandálias!) Porque você ainda vai querer tudo isso? Não sei. Mas estou feliz. Nessas horas quero mais é lembrar do velho e bom ditado: vivendo e aprendendo. E eu estou. Aprendendo a não ter medo de mudar. E só hoje eu percebi isso claramente. O quanto tenho aprendido. Hoje joguei alguns sentimentos fora. Sombras. Batons. Sandálias. Aquele gosto amargo que não queria sair da minha boca. Dei quase metade das minhas minissaias, meia dúzia de blusas. Rasguei aquele pedaço de papel que ainda estava na minha carteira. Deixei o outro. Aonde eu fui parar? Exatamente dentro de mim. Descobri que tenho alguns defeitos terríveis. Algumas qualidades felizes. E que superei vários medos antigos. Mas hoje, enquanto arrumava o armário, me ocorreu que, na verdade, o único medo que me resta é o medo que tenho de mim. Do meu coração que me engole, da minha razão que me desobedece. Dessa mania exagerada que tenho de amar. Amanhã é segunda-feira e começa tudo de novo. Mas cada dia, cada semana é diferente. Muitas novidades, novos desafios, outros caminhos. Minha estrada de tijolos amarelos - que sigo na esperança de chegar a algum bom lugar um dia. Que deus esteja comigo. E as pessoas que eu amo também. Uma ótima semana a todos.
Batido por Lu às
12:38 PM
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Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
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