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De volta à Natal e ao abandonado blog. Parar de escrever nunca, mas ultimamente a sensação que tenho é que meus escritos não interessam a mais ninguém que não seja eu mesma. Impublicáveis, em uma palavra. Os dias em Belo Horizonte (MG) foram... Revolucionários. Ando 'ruminando fotos e memórias', como escreveu, algum dia, Daniel Galera - e eu jamais esqueci essa frase. BH me revolucionou. Inquietou, perturbou. Fez submergir de águas profundas uma Lu que nem eu mesmo sabia(?) que existia. Foi meu breve exílio de quatro dias que me levou à reflexão e me fez enxergar alguns fatos com uma clareza tal que chegou a encandear. Desde então eu caio naquele temível clichê: eu não sou a mesma. O sobe e desde das ladeiras do Savássi e as casinhas coloridas de Ouro Preto continuam bem vivas. Se um dia eu escrever um livro talvez ele não se passe em uma cidade como BH, mas lá eu extraí boas e incontáveis histórias que poderiam, sem sombra de dúvidas, se transformar em contos para todos os gostos. Mas eu não quero pensar nisso. Aliás, eu não quero pensar. Me dividi entre o fútil e culto e voltei de lá com a mala cheia de presentes (para mim mesma) e livros. A amiga querida me deu abraços, o ombro e as palavras certas no momento exato. As coisas não estão calmas e as revoluções continuam a acontecer – a todo instante. Esse é o risco. Mas Clarice está sempre lá/aqui para me lembrar, sempre e sempre, que 'pensar é um ato, sentir é um fato.' E, mais uma vez, eu sou obrigada a admitir, sou toda sentimentos. |
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Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
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