Estar apaixonada é a melhor das sensações. Eu não estou. Não agora. Mas já estive. Algumas poucas vezes. Mas grandes paixões.
A primeira foi aos 17 anos. Paixão adolescente. Era o menino mais lindo da faculdade, tinha o nome de um dos Três Mosqueteiros e eu passei dois anos só olhando para ele - achando que tal criatura jamais olharia para mim. Um dia olhou. Eu já estava com 19 anos, mas continuava a me abobalhar com aquela beleza toda. Não morávamos no mesmo bairro, não fazíamos o mesmo curso, não tínhamos amigos em comum. Mas aconteceu de, um belo dia, ele me notar. E a partir daí foi tudo muito rápido. Nos conhecemos e ele me ligou - e eu tive O Dia Feliz. Numa sexta-feira à noite, num show de Jota Quest, em frente à praia, ficamos juntos. E o mundo girava em câmera lenta enquanto ele me beijava. O melhor de tudo: eu não estava sonhando. Depois disso ainda nos falamos algumas vezes. Mas aí vieram as férias... E eu conheci a minha segunda paixão.
Paixão que na verdade não foi (só) paixão. Foi muito mais. Foi um treco grande, diferente. Tanto que até hoje me pergunto se não teria sido o tal amor. (Mas agora isso pouco importa...) Ele era de Recife e 300 km nos separavam. O sentimento foi crescendo via Telemar, internet e em esporádicas viagens - ele pra cá, eu pra lá. Entre idas e vindas, foi-se um ano e meio. Tempo gasto com dezenas de declarações de amor sem nunca sequer termos dito essa palavra. Declarações silenciosas onde as atitudes falam muito mais alto que qualquer frase dita num impulso. Um dia ele precisou se mudar. São Paulo. E a distância, que já era um empecilho, se tornou uma impossibilidade. Mas os sentimentos puros ficaram e existem até hoje. A paixão se foi, mas ficou um sentimento muito maior - aquele que mistura amizade, carinho, admiração, confiança, querer bem. Desse moço, guardo algumas das minhas mais doces lembranças. Amor não é mais que isso, né...?
A terceira paixão foi importante. Marcou época. Eu errei muito e aprendi com os erros. Ele foi o primeiro a ser apresentado para o meu pai, o primeiro a me levar para acampar, o primeiro com quem eu viajei sozinha. Ele foi o primeiro que me disse EU TE AMO - em um lindo final de tarde de verão, em cima de uma falésia, na minha praia preferida. O primeiro. Ele foi o homem em que eu mais confiei na vida - eu via pureza naqueles olhos castanhos. Sinceridade e confiança eram a base da nossa relação. E nessa época eu tive plena certeza de que era realmente amada. Éramos parecidos, tínhamos almas irmãs, personalidades semelhantes. Tudo ficava mais fácil. Mas um dia acabou. E o fim causou algum estrago, por algum tempo. Mas agora tudo está refeito e, hoje, posso dizer que tenho um amigo muito, muito querido.
A quarta paixão foi a mais trágica. E também atendia pelo nome de imensidão. Imensidão de sentimento. O alvo era um grande mentiroso e a história terminou de um jeito feio. Com grosserias, indelicadezas, traição. E uma dor duas vezes maior que a tal imensidão. Agora, já não dói mais. Passou. Mas dessa paixão, restou muito aprendizado. E algumas belas histórias que um dia já me fizeram chorar – mas hoje só me fazem sorrir. A mim e às minhas amigas que acompanharam em todas as fases da via crucis que foi esse namoro.
E entre uma paixão e outras existiram as paixonites que, da forma como deve ser, também cumpriram seu papel na minha vida. Teve o skatista que me fez trocar meu guarda-roupa todo porque me achava patricinha, teve o pagodeiro que ouvia Jorge Vercilo e me achava intelectual (no pior sentido da palavra), teve o que quis casar e o que só queria... Er... Você sabem.
Aí depois de um tempo de calmaria grande, teve a quinta paixão. Que ganhou o nome de definitiva – embora hoje eu já não saiba mais se o adjetivo ainda cabe aqui. Mas no começo foi. A paixão virou amor e esse sim, um amor avassalador. Sublime. Imenso. Maior que eu, maior que ele, maior que o mundo. E eu, que sempre me neguei a pra sempre’s, estava certa de que aquela história só teria fim com a morte de um dos protagonistas. Eu quis casar, ter filhos, ficar velhinha junto com ele. Eu amei e segui meu coração. Ele também me amou. Mas, depois de um tempo, sucumbiu. E o que era mágico, se tornou comum. O que era pra sempre, virou finito. Transitório. Igual. As coisas mudam e o discurso de alguns homens retrocedem. É fato. Eu cumpri o acordo, ele não. Mas o tempo mostra que se a gente segue o coração lá na frente tudo se explica. Até hoje acho que não merecíamos o fim que tivemos. Não merecíamos o fim. E tivemos. Mas se assim foi, é porque assim tinha que ser. E eu sigo sorrindo. Com a certeza de que a gente sempre colhe o que planta. Hoje amanhã ou daqui a dez anos.
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