“...Mas o universo hoje se expandiu”A empregada da casa da minha avó adorava assistir aquelas novelas mexicanas do tipo Maria do Bairro, Maria Mercedes, Marimar... E eu vivia pensando como é que uma pessoa ocupa seu tempo em ver outra chorando. Sim porque em 85% da novela a mocinha sofre. Primeiro porque é pobre, depois porque se apaixona por um rapaz rico, depois porque a vilã o rouba dela. O mocinho engravida a vilã, eles se casam e a mocinha chora mais. E chora e chora e chora. Passa meeeeses chorando todas as noites.
Aí um dia eu questionei dona Célia, sobre o prazer que havia em ver alguém sofrendo. E ela, do alto de seus quase 50 anos de experiência, me respondeu que a graça não era ver o sofrimento da mocinha. Mas vê-la ultrapassar todos os obstáculos. Vê-la ser forte e, mesmo quando tudo parecia conspirar contra, mesmo depois de meses de sofrimento, ela ir lá e, no final da novela, conseguir superar tudo, sorrir com a alma, e ser verdadeiramente feliz. E quando aquela senhora me disse isso eu percebi que é assim mesmo. A graça está na hora da reviravolta. Na hora que ela sacode a poeira e dá a volta por cima. Toda a graça de meses de novela se resume àquele fato: o momento que ela acorda e diz CHEGA! Todo mundo tem um momento assim na vida. A hora que depois de muito sofrimento, idas e vindas, altos e baixos, você olha no espelho e diz CHEGA! Vira o disco, muda a direção, faz diferente o que já fez muito errado. Uma palavrinha simples, mas são cinco letras que demandam um esforço, por vezes, sobrehumano. Difícil mas não impossível. Chega! E o ponto final deixa de ser visto como um término, para ser visto como o início de um novo capítulo. |
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Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
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