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Um século, um mês Três vidas e mais Um passo pra trás Acordei com o celular tocando bem do lado do travesseiro. Meu chefe querendo o contato de um fulano. Atendi, dei o número e tentei voltar a dormir. Minha vontade era dormir, dormir, dormir. Dormir por vinte e quatro horas seguidas. Porque tem dia que levantar da cama é abortar um dinossauro adulto e a dor não dá para controlar. Mas sigamos. Os dias estão com uma cara diferente sem ser estranha. Tem hora que as cores saltam aos olhos e a vida fica como uma pintura de Frida. Em outras o cinza reina. Difícil controlar esse vai-e-vem de emoções contraditórias e sentimentos dissonantes. Eu quero, mas não devia. Eu posso, mas não quero. Eu vou, eu volto. E eu, que nunca fui de muitas dúvidas, acabo me virando em interrogações. Sempre gostei de certezas mas, por outro lado, não tenho feito nada de concreto para buscá-las na gaveta mais escondida do meu armário de emoções. As mudanças assustam e por mais que eu propague aos quatro cantos Saudações a quem tem coragem!, talvez seja ela que esteja faltando. Ou não. Talvez eu a tenha em excesso. Sabe-se lá. Eu sou a rainha das contradições. Em momentos assim o meu cartão de crédito precisa estar sempre à mão. Hoje eu comprei seis blusas, dois shorts, duas sandálias e uma sapatilha. Minha mãe pergunta onde é que eu vou colocar tanta roupa e eu não sei responder. Quando o armário não tiver mais lugar eu coloco no coração. Está vazio. E o dia, que começou colorido como as roupas da nova estação, está acinzentando. Choveu agora há pouco. Mas a tarde haverá sol e o céu vai ficar com o azul que eu gosto. Eu já estou acostumada com essas estações transitórias. É fase. Tudo passa. E eu sei disso. |
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Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
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