![]() Eu e os aviões. Eu sempre gostei de aviões. Na verdade eu sempre gostei de viajar. E adorava aeroportos. Porque eles sempre me remeteram a alegrias, viagens, gente querida chegando. A primeira vez que entrei em um tinha lá pelos cinco anos e a minha irmã quatro. O destino era o Rio de Janeiro e quando aquela máquina começou a levantar vôo ela pediu aos nossos pais para descermos e irmos de táxi. Eu não. Estava achando o máximo. E desde aquele ano, eles nunca mais saíram da minha vida. Em viagens de férias, em viagens de trabalho, na chegada de parentes e amigos. Vez por outra eu sempre estava em um aeroporto. Até o dia que eu me apaixonei pela primeira vez. E o menino, claro, não era da minha cidade. Eu tinha 18 anos e estava encantada por um recifense. E entre idas e vindas, os aeroportos estavam sempre entre nós. O tempo passou, eu conheci outros garotos, continuei viajando e os tais terminais eram sempre lugares alegres. Até o dia que o então namorado, que eu estava super amando, foi fazer intercâmbio. E eu fui deixá-lo no... Aeroporto. E foi aquele chororô. Naquele dia, os aeroportos deixaram de ser alegres. Porque ele foi e levou com ele um pedacinho de mim. Voltou, foi de novo, levou outro pedacinho. Voltou de vez e se perdeu pela vida, na inércia das escolhas erradas. O tempo passou e aí eu tive uma paixonite que, não pela minha vontade, passou logo - se não poderia ter trazido um grande estrago. Ele era lindo, inteligente, apaixonante e... Morava longe. Ótimo. Mais aviões no meu caminho. Ele vinha, eu ia, ele vinha... E assim seguimos. Não deu certo, claro. Não se pode nadar contra a corrente e eu prometi que NUNCA MAIS ia me apaixonar por ninguém que morasse longe - ou que fosse embora. Na verdade eu prometi mesmo que eu NUNCA MAIS ia me apaixonar. Até aquele sábado a noite. No domingo ele me disse que ia embora em 26 dias e a partir daí não nos largamos mais. Mesmo sem querer, mesmo sem esperar. E ontem eu estava no aeroporto mais uma vez. Contando os dias para voltar lá de novo. E buscar os sorrisos que foram levados pelo avião. 47. |
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Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
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