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Sunday, April 19, 2009

Já chega, né? O filme/drama acabou. Fecharam-se as cortinas e não teve beijo no final. Eu já vi esse filme e não queria ter visto de novo. Segui o meu caminho com as minhas lindas amigas e fomos para o bar – que é lugar quente. E para a boate. E para o posto. E para casa. E na manhã do dia seguinte o meu quarto estava rodando. Mainhaaaaaaaa!! Traz água para mim, pelamoooordedeus!! São 12h03 e eu olho para o celular. Ele não toca. Há dois dias e meio que ele não toca aquela musiquinha e eu já estou com a STQNT – Síndrome do telefone que não toca. Junto com a ressaca, com as dúvidas e a angústia... Vocês imaginam a minha cara de feliz. No som, Amy de novo. E de novo e de novo e de novo. Vontade de chorar. E o quarto rodando. O relógio marca 14h32 e o telefone não toca. A ressaca me consome. E continuo deitada. Ligo para a amiga. Ligo para o amigo. Ligo para a outra amiga. Ta chegando a hora de ir para o bar dos solteiros encontrar outros solteiros. Mas eu não quero nem ir, nem ser. Mas eu vou. Porque eu sou. E o Outro vai também. Mas eu fujo do Outro porque eu só quero Aquele. Aquele eu vou ver mais tarde. Porque o telefone, até que enfim, tocou. E nós vamos para um bar de casais, num sábado à noite, com um outro casal – de “amigos”. E depois aparecem amigos de infância, colegas de trabalho e uma profusão de gente que faz qualquer pessoa se sentir em família. Saí do bar dos solteiros fugindo do Outro para encontrar Aquele no bar dos casais. É muita confusão para a minha cabeça. Porque ora eu sou solteira, ora eu sou casal. Nem sempre solteira, nem sempre casal. E eu não sei mais como é esse não-saber. Mas eu fico feliz, claro. Eu brinco, eu rio, eu me divirto. Mesmo que um prédio esteja desabando por dentro e eu me consuma em interrogações. Eu brinco, eu rio, eu me divirto. Eu ando de mãos dadas, eu sou carinhosa e ganho carinhos. Ele me olha, arruma meu cabelo, diz para o amigo que me deu presente de páscoa sim. E eu gosto. Porque naquela hora nós somos um casal. Mas depois a gente se despede e eu digo boa noite, bom domingo, boa semana, bom dia amanhã. Mesmo sabendo que amanhã eu vou olhar para o telefone e ele não vai tocar. Porque nessa hora eu sou solteira. Aí eu sofro. Só não sei até quando.
Batido por Lu às 3:40 PM



Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa.



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