|
Não, meu bem, não adianta bancar o distante lá vem o amor nos dilacerar de novo... Caio Fernando Abreu. ![]() Eu me lasquei. Eu me lasquei redondo, bó-ni-to. Tipo goleiro que engole frango em final de campeonato. Tipo gordo que sai rolando escadaria abaixo. Tipo aluno que é pego colando na prova de matemática. Me-las-quei. Porque essa era a coisa que eu menos queria na vida – e com quem eu menos queria – mas ontem eu voltei para casa ainda com o sol alto e, enquanto eu dirigia, eu só conseguia sorrir. E pensar nELE. Sorrir e pensar nELE. Sorrir e pensar em como eu estava feliz. Em como eu estava Fe.liz. Porque o fim de semana foi uma perfeição e eu descobri o ombro mais macio que pode existir. Porque eu descobri que as coisas podem sim ser diferentes. E decidi que seriam mesmo. Mas deu medo. Porque na sexta à noite eu tomei um porre e ELE cuidou de mim. E há tanto, tanto tempo que eu não deixava ninguém cuidar de mim daquele jeito, que deu muito, muito medo. Mas depois a gente foi passear, a gente foi no cinema, a gente passou o domingo juntos. E nessa hora eu percebi que já estava tudo perdido mesmo. Me lasquei bó-ni-to. E eu já nem sei há quanto tempo eu não me sentia assim. Muito, muito tempo. As borboletas estavam dormindo e deu um medo enorme quando elas acordaram para fazer uma festa no meu estômago. Porque é muito fácil mandar seguir o coração, é muito fácil dizer para alguém ter calma e ser emocional. É muito simples mandar a razão às favas quando não se está no olho do furacão. E eu estou. Mas essas últimas histórias confusas todas me fizeram ver mesmo é que se eu não me cuidar, no final da brincadeira, quem vai acabar tendo que guardar os brinquedos todos sozinha sou eu. Então dessa vez eu quero fazer diferente. Tem tudo para dar errado, mas ELE é diferente então vamos mudar também, né. Revolucionar, alterar, modificar. Mudança. Novidades. Eu estou perdida, mas não posso deixar de sorrir. Eu estou com medo, mas eu tenho que continuar. Só que, mesmo sabendo disso tudo, hoje eu não acordei sorrindo como de costume. E não tô com vontade de brincar com todo mundo. E não quero fazer piada de toda coisa engraçada que cruza o meu caminho. Eu acabei de desligar o meu telefone porque toda manhã ELE me manda mensagens fofas e depois me liga para mandar um beijo, para dizer que eu sou linda ou só para ouvir a minha voz. Todas as manhãs nós nos falamos. Mas hoje eu não quero esperar ELE me ligar. Hoje eu não quero esperar as mensagens dELE. Hoje eu não quero que ELE sonhe o que anda fazendo comigo. Eu não quero que ELE desconfie da possibilidade de que eu já perdi, de que já estou entregue. Que fui eu a quebrar a imunidade. Não tem mais segurança, não tem mais brincadeira. Tá tudo muito claro agora e eu estou perdida. No olho do furacão. E aquele outro, que um dia eu pensei em namorar, agora quer namorar. E eu não quero mais e vivo fugindo dele. Porque eu não estou mais nem aí para qualquer outro que não seja ELE. Porque eu não estou nem aí que no sábado vai ter uma festa com os bonitos mais bonitos da cidade. Eu não tô nem aí que fulano, fulano ou fulano me liguem para saber o que eu vou fazer no fim de semana. Porque desde o último fim de semana, eu quero passar com ELE todos os outros que ainda virão. Eu me lasquei bó-ni-to mesmo. E agora só me resta fugir. Porque essa é sempre a hora que eu erro. Que eu meto os pés pelas mãos, que eu fico amorosamente boba e começo a pensar em comprar todos os presentes do mundo para ELE. Mas eu não posso. E não devo. Então eu vou ser simples. E ser simples é fugir. E de repente me ocorre que fugir tem sido uma frequência na minha vida. Desligar o telefone para não dar bandeira. Desconversar. Mudar de assunto. Para ELE nunca perceber. Quero fugir do que eu posso vir a sentir por ELE - ou do que eu já estou sentindo. Porque eu o encontrei quando eu não quis mais procurar nenhum amor. E antes de um mês eu já nem sei... E ELE sempre me abraça na fila e cada vez que ELE faz isso eu gosto mais. Porque na verdade não é que eu gosto do abraço na fila do cinema. Eu gosto do abraço dELE na fila do cinema. ELE é um bruto, mas ELE é um bruto que fala coisas lindas. Ou melhor, escreve. E o meu celular está lotado de mensagens fofas. Porque ELE escreve - gente, ELE es-cre-ve! ELE é jornalista. ELE trabalha comigo. E eu odeio isso. Mas eu adoro isso também. Porque a gente se entende. Porque a gente fica cinco horas conversando e não vê o tempo passar. Porque ELE tem mil coisas que eu adoro, mas outras três mil que eu detesto. Mas tem horas que eu só consigo ver as mil que eu adoro. E então eu to feliz. Sim, eu to Fe.liz. Mas eu também to sofrendo. Porque eu to Fe.liz. Mas eu também to com medo. Porque eu gosto dELE. De verdade. E estou perdida. E com vontade de chorar. Porque eu não queria. Mas eu me lasquei. Bó-ni-to. |
|
|
Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
February 2007
March 2007
April 2007
May 2007
June 2007
July 2007
August 2007
September 2007
October 2007
November 2007
December 2007
January 2008
February 2008
March 2008
April 2008
May 2008
June 2008
July 2008
August 2008
September 2008
October 2008
November 2008
December 2008
January 2009
February 2009
March 2009
April 2009
May 2009
June 2009
July 2009
August 2009
September 2009
October 2009
November 2009
December 2009
January 2010
February 2010
March 2010
April 2010
May 2010
June 2010
July 2010
August 2010
September 2010
October 2010
Layout: Liannara
Hospedado: Blogger
Comentários:Haloscan
Imagem :Gettyimages
<< Voltar