![]() A vida não é um conto de fadas. Ontem ele me chamou de lesa. No nosso primeiro encontro ele me chamou de chata. E ainda há pouco me deu uma bronca por causa de uma questão profissional. Fiquei sem fala. Estive com ele até às 4h da madrugada e hoje de manhã ele me acordou com uma mensagem no celular. Perguntei se ele já tinha acordado pensando em mim. E recebi a resposta mais fofa do ano. Ontem ele me disse que conta os dias desde quando ficamos pela primeira vez. E sabe quantas vezes foram também. Achei lindo. Achei fofo. Mas logo depois mudamos de assunto e ele falou um super palavrão sem nenhum pudor. E outro e outro e outro. Doeu no meu ouvido não acostumado. Ele não tá nem aí se eu não uso palavras chulas no meu vocabulário. Ele usa. Ele é o primeiro garoto que, no começo de tudo, não me leva nos meus restaurantes preferidos. Ele não me leva no bar da moda, nem na boate nova que tá bombando. Ele me chama para ir num show de reggae e para comer cachorro quente no domingo a noite. E – por mais incrível que parece aos que me conhecem – eu vou. E ganho mil sorrisos. Porque ele me diverte. Eormemente. A gente briga, a gente discute, a gente discorda quase sempre. Ele reclama das minhas saias curtas e diz que eu tenho que acabar com as minhas frescuras. Eu o chamo de chato. Ele diz que eu tenho que botar moral nos meus primos pequenos e que eu sou muito besta para rir. Ele gosta de branco, eu gosto de preto. Ele é ABC e eu sou América. Ele é tão estressado que eu não tenho espaço para ser carinhosa. Mas mesmo com tudo diferente, há alguma coisa que faz com que nos demos bem – independente de gostos, de lugares e pessoas. Porque eu adoro o perfume que ele usa e o jeito que ele coloca a mão na minha cintura. Eu adoro as mensagens em horas impróprias. Eu adoro o quanto ele me faz rir. E depois desses dias de loucurinhas, de repente, me ocorreu que das duas uma: ou eu vou me apaixonar [moooointo!!] por ele ou eu nunca mais vou querer vê-lo na minha frente. Indiferente não dá para ser. E aí eu escrevi uma mensagem de texto – eu não sei se eu te adoro ou se eu te odeio – que jamais será enviada, claro. Fica lá na pasta dos rascunhos para ele não ficar convencido. Porque, obviamente, ele ia achar que eu devo mesmo é adorá-lo. Eu não acho nada. Porque eu juro que eu não sei se o odeio ou se o adoro. E é melhor deixar quieto porque eu tenho medo de descobrir. E tudo isso porque ele é o primeiro cara que entra na minha vida e não me vê como uma princesa. E é muito mais fácil porque assim, ele também não tenta ser o que ele não é: um príncipe. |
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Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
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