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Tuesday, January 26, 2010

“Amanhã eu fico triste, hoje não!”*

Acho que tem uma hora na vida que você tem que escolher. Se deixar cercar por gente grande, com a alma imensa, ou permitir que os medíocres façam a festa na sua vida e te transformem em mais um deles. E esses momentos de decisão estão escondidos na rotina, no dia-a-dia. Em pequenas decisões que você tem que tomar sem pensar muito. Às vezes a gente erra, outras vezes acerta e assim vai seguindo a vida.

Os meus amigos têm uma alma tão grande que eu confesso que, na maioria das vezes, sequer posso dimensionar. Porque eles aparecem quando eu mais preciso – e menos espero. Porque eu não tenho que gritar para que eles venham ao meu socorro. Eles sabem que quando eu estou mais calada, é exatamente quando eu mais estou precisando deles por perto. E foi assim durante as duas últimas semanas. Ele mora do outro lado do país, mas me ligou todo-santo-dia para saber como eu estava, para me fazer rir ou apenas para comentar algum assunto bobo do noticiário. Ela trabalha no jornal concorrente, mas todas as tardes eu via o nome dela piscando na janelinha laranja do MSN. E teve até aquela outra que eu jamais achei que pudesse se preocupar comigo... Mas se preocupou. E virou minha querida para todo o sempre.

Porque amizade tem muito a ver com querer ver o outro bem e ver o bem do outro. Mesmo que não seja dia de festa nem tenha nenhuma implicação na minha vida, eu quero ver os meus queridos sorrindo. Assim como eu sei que sou a querida de alguns – que sempre querem me ver sorrindo também. E essa preocupação se mostra nas pequenas atitudes. No telefonema no meio da tarde, no e-mail inesperado, no sorriso espontâneo. Nas horas de conversa que, embora não resulte em nenhuma conclusão concreta, sempre faz com que nos sintamos melhor. Mas essas pequenas doses diárias de sensibilidade, infelizmente, nem todos têm. Mas os que têm, me serão para sempre muito caros. Porque fazem a minha vida (muito) mais feliz.



*Poema deixado na parede de um dos dormitórios de crianças do campo de extermínio nazista de Auschwitz.
Batido por Lu às 11:30 AM



Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa.



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