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Só tem eu, Carlinha e Platão
Batido por Lu às
1:16 PM
Peguei meu telefone e disquei o número da amiga. Logo depois do alô eu já desatei a falar. Me ajuuuuuuda!!! O que fooooi? Amiga, me apresenta para ele porque eu o vejo todos os dias, nos falamos todos os dias, mas ele não sabe da minha existência. Ela riu, claro. E eu fui contar nos dedos há quantos anos isso não me acontecia... Pelos meus cálculos uns onze, doze anos. É fato. Eu não sei paquerar. Eu nunca paquerei, gente. Eu nunca cheguei num garoto. Eu tive três namorados na vida e TODAS as vezes foram eles que me paqueraram. Eles tomavam conhecimento da minha existência e só depois acontecia o movimento inverso. Eu me interessava depois que se interessavam por mim primeiro. Mas agora não. E, como toda situação inédita, eu não sei como me comportar. A conta do meu celular, claro, vai vir altíssima este mês. Porque eu tenho que desabafar – e rir horrores – com as amigas. Todo um tricô! Bom é que uma delas também passa pela mesma situação. Não tão dramaticamente, claro... Porque exagerada aqui só tem uma(?). Ela é mais centrada. Eu sou mais desenfreada. Mas o bom mesmo dessa situação toda é que rimos como crianças em parques de diversão. Amores platônicos são engraçados. A pessoa não sabe da sua existência, mas qualquer passo fora da normalidade você, criatura romanticamente idiota, já acha que ele fez aquilo por sua causa, claro. Porque, finalmente, descobriu que você existe e o quanto você é legal e divertida e interessante e nem ia reclamar se ele quisesse jogar bola com os amigos toda terça. Mas não é nada disso e ele continua na tecla IGNORAR VOCÊ mode on. Chorar você não chora, mas reclama horrores. Reclama para as amigas, reclama para os colegas de trabalho, reclama até para o frentista se ele te der bom dia. Você sofre, sofre, sofre... E morre de rir com tudo isso. Ri porque a verdade é que não existem problemas reais com os quais se preocupar. Ele não está deixando de te ligar – ele simplesmente não tem seu telefone. Então fica mais fácil. É tudo sonho, imaginação. Está na sua cabeça. Cabecinha de vento. E você segue a sua vida feliz e contente, contando sempre para todo mundo como é ruim(?) ser ignorada e o quanto isso gera tantas risadas para você e sua turma. Só há um lado. O lado engraçado. Por essas e outras que amores platônicos são os mais verdadeiramente divertidos. Experimente você também. Porque, por hora, somos só nós três. |
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Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa. |
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